O PARADOXO DA FRUTICULTURA IRRIGADA: IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS E A SAÚDE DO TRABALHADOR NO POLO PETROLINA–JUAZEIRO
DOI:
https://doi.org/10.52832/jesh.v6i2.678Palavras-chave:
Agronegócio, Exposição Crônica, Exposoma, Justiça Ambiental, SemiáridoResumo
A expansão acelerada da fruticultura irrigada no polo Petrolina–Juazeiro-Brasil consolidou o semiárido brasileiro como uma região estratégica para o agronegócio exportador, intensificando desigualdades socioambientais e riscos à saúde do trabalhador. Esse paradoxo revela um modelo de desenvolvimento em que ganhos econômicos coexistem com formas difusas e frequentemente invisíveis de exposição. O objetivo deste estudo foi analisar os impactos socioambientais e à saúde associados ao agronegócio irrigado, com foco na interação entre exposição química, dinâmica hídrica e vulnerabilidade territorial. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura em bases de dados nacionais e internacionais, complementada por literatura cinzenta. Inicialmente, 216 registros foram identificados e submetidos a processos sistemáticos de triagem e elegibilidade. A análise foi estruturada em três eixos: bioquímico-clínico, socioeconômico e geoambiental. A exposição a agrotóxicos na região é crônica, cumulativa e mediada por fatores ambientais e sociais. Evidências apontam associações com genotoxicidade, desregulação endócrina e doenças crônicas subnotificadas, além de precarização do trabalho e desigualdades de gênero. As vias de contaminação se estendem por solo e água, ampliando a exposição para além do ambiente ocupacional. A discussão evidencia que essas dinâmicas estão inseridas em um contexto de injustiça ambiental, no qual os riscos são distribuídos de forma desigual e estruturalmente produzidos. A interação entre condições climáticas, irrigação e uso de insumos químicos intensifica a exposição, sustentando a noção de exposoma químico-hídrico. Conclui-se pela necessidade de políticas integradas, fortalecimento da vigilância e enfrentamento das desigualdades territoriais em regiões semiáridas.
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