URBANIZAÇÃO DISFUNCIONAL E O PARADOXO DAS ARBOVIROSES NO SEMIÁRIDO: UM MODELO ECO-URBANO A PARTIR DE CIDADES MÉDIAS DO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.52832/jesh.v6i2.676Palavras-chave:
Armazenamento de Água, Ecologia Vetorial, Saneamento, Saúde Urbana, Variabilidade ClimáticaResumo
A transmissão de arboviroses tem sido tradicionalmente associada a ambientes tropicais úmidos, porém evidências recentes do Semiárido brasileiro desafiam esse paradigma. Cidades médias dessa região apresentam crescente circulação viral mesmo sob escassez hídrica e calor extremo, revelando um paradoxo no qual práticas adaptativas e condições urbanas sustentam a proliferação do mosquito vetor. Este estudo teve como objetivo analisar como a urbanização disfuncional e a dinâmica térmica urbana influenciam a transmissão de arboviroses em sistemas urbanos semiáridos, além de propor um modelo conceitual integrador. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura em bases nacionais e internacionais, considerando estudos publicados entre 2010 e 2026. Após triagem sistemática, os estudos foram analisados por síntese temática. Os resultados indicam que a expansão urbana horizontal, a precariedade do saneamento e o armazenamento doméstico de água criam criadouros persistentes, enquanto as ilhas de calor e a variabilidade climática aceleram o desenvolvimento vetorial e a replicação viral. A discussão evidencia que esses fatores operam de forma interdependente, formando um sistema de retroalimentação entre ambiente, infraestrutura e comportamento humano. Como contribuição, propõe-se o Sistema de Amplificação de Arboviroses em Ambientes Urbanos Semiáridos. Conclui-se que o risco epidemiológico deve ser reinterpretado a partir de abordagens integradas, especialmente diante das mudanças climáticas.
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