RECIDIVAS DE HANSENÍASE NA REGIÃO NORDESTE NO BRASIL, 2011 – 2024
DOI:
https://doi.org/10.52832/jesh.v6i1.656Resumo
Objetivo: caracterizar o perfil dos casos de recidiva de Hansen em residentes da região Nordeste, entre os anos de 2011 e 2024. Material e métodos: Trata-se de um estudo ecológico, transversal, descritivo e de abordagem quantitativa, realizado a partir de dados secundários obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). Foram analisadas variáveis sociodemográficas, clínicas e operacionais, além da proporção de recidivas, tendência das incapacidades físicas e realização da baciloscopia. Resultados: no período analisado, foram registrados 195.978 casos de hanseníase, dos quais 8.642 (4,4%) corresponderam a recidivas, com maiores proporções nos estados do Ceará e Bahia. Observou-se predominância de recidivas em homens, pessoas pardas, indivíduos com baixa escolaridade e na faixa etária de 40 a 59 anos. A maioria dos casos foi classificada como multibacilar, especialmente nas formas clínicas dimorfa e virchowiana, com presença de mais de cinco lesões cutâneas e indicação predominante de poliquimioterapia em 12 doses. Embora o grau 0 de incapacidade tenha sido mais frequente, verificou-se tendência de crescimento dos graus I e II ao longo do período. Considerações finais: conclui-se que as recidivas apresentam perfil associado a maior vulnerabilidade social e formas clínicas mais avançadas da doença, evidenciando a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância, do acompanhamento pós-alta e do controle da hanseníase na região Nordeste
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