DIVERSIDADE SAZONAL E POTENCIAL BIOTECNOLÓGICO DE FUNGOS ANEMÓFILOS DO AGRESTE MERIDIONAL DE PERNAMBUCO
DOI:
https://doi.org/10.52832/jormed.v4.690Palavras-chave:
Bioaerossóis fúngicos. Bioprospecção. Atividade antibacteriana. MRSA (Staphylococcus aureus Resistente à Meticilina). Metabólitos Secundários.Resumo
O estudo investigou a diversidade de fungos anemófilos e o potencial antibacteriano de seus metabólitos secundários na cidade de Garanhuns-PE, localizada no Agreste Meridional de Pernambuco, região de transição climática entre Zona da Mata e Sertão. A pesquisa buscou avaliar a importância dessa microbiota pouco explorada como fonte de novos compostos bioativos frente ao cenário global de resistência antimicrobiana, especialmente contra o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA). Foram realizadas coletas sazonais (inverno, primavera e outono) em ambiente interno (biblioteca) e externo no Campus Garanhuns da Universidade de Pernambuco. As amostras foram obtidas pelo método de sedimentação passiva e submetidas a isolamento, identificação presuntiva e caracterização molecular por sequenciamento da região ITS do rRNA. Para avaliação da atividade antibacteriana, utilizou-se a técnica de difusão em meio sólido (método do bloco de ágar). Fragmentos de colônias fúngicas foram transferidos para placas de Ágar Mueller-Hinton previamente inoculadas com suspensão de MRSA, e os halos de inibição formados foram medidos em milímetros. Um disco de ágar sem fungo foi utilizado como controle negativo e antibióticos comerciais serviram como controles positivos. Os resultados evidenciaram maior concentração fúngica no ar externo em todas as estações, especialmente no inverno (80 UFC/placa), enquanto o ambiente interno apresentou valores baixos (média <3 UFC/placa), dentro dos padrões da ANVISA. A sazonalidade mostrou forte influência, com correlação positiva entre umidade e abundância fúngica. A análise molecular identificou gêneros de relevância clínica, ecológica e biotecnológica, como Aspergillus, Penicillium, Cladosporium, Colletotrichum, Pestalotiopsis e Epicoccum. Na triagem antibacteriana, todos os 17 isolados testados inibiram o crescimento de MRSA, sendo 76,4% classificados como de alta atividade (>14 mm), com resultados comparáveis ou superiores ao Cloranfenicol. Conclui-se que os fungos anemófilos do Agreste Meridional de Pernambuco são fonte promissora de novos compostos antibacterianos, ressaltando a relevância de explorar microbiotas negligenciadas na busca por alternativas terapêuticas diante da resistência antimicrobiana.
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